Saiba mais sobre a história de Campo Bom

Texto retirado do livro Campo Bom: um Lugar para Ser Feliz

 

Pelos caminhos da história

Enquanto caminhamos produzimos nossa história e rememoramos as marcas deixadas pelas distintas estradas e territórios que estivemos. Como seres que se encontram, o caminhante busca o seu caminho observando, tentando compreender o jeito de andar, sentir, falar... a partir dos rastros culturais, da transformação dos costumes como leitura possível do todo complexo, estético e poético da realidade para projetar ou remodelar o caminhar.

Campo Bom é uma cidade que conserva o carinho e aconchego para quem está e para quem chega; um espaço que preserva seu verde nativo; as águas dos Sinos; os campos, coxilhas e várzeas; os morros e banhados.

Depois da experiência e convivência das muitas formas de vida chegam os primeiros europeus na região e a imensidão dos verdes campos já faziam do lugar um “Campo Bom” para o viajante, aventureiro e o tropeiro que vivia na região dos Altos de Cima da Serra. Estes que quando se dirigiam à Capital e as cidades vizinhas do Vale dos Sinos encontravam aqui tranqüilidade, segurança e boas pastagens pro gado.

A “história” da cidade se iniciou oficialmente em 1824 com a chegada dos colonos alemães em nossas terras. Neste período de colonização, se desenvolveram as principais atividades na agricultura de subsistência e na indústria artesanal, que se estenderam até 1926.

Com a imigração alemã, floresceu no atual município de Campo Bom uma vida comunal, característica da convivência européia desses imigrantes. A comunidade se organizava em torno de suas escolas, igrejas, capelas, casas comerciais, instalações artesanais, sociedades, associações, clubes e elementos que polarizavam a vida e as relações humanas e sociais.

Os imigrantes trouxeram para Campo Bom um nível religioso e uma vida religiosa intensa, tanto do lado protestante quanto do católico. Como em toda região de colonização alemã, também a educação e a escola foram desde o princípio uma das maiores preocupações.

 

Coragem para Ser

O imenso crescimento econômico da cidade na década de 50 fez com que a “Vila de Campo Bom” fosse a principal colaboradora na arrecadação econômica de São Leopoldo. Apesar deste crescimento, Campo Bom, não recebia retorno do distrito com relação ao desenvolvimento e aplicação em obras. A grande contribuição financeiro aos cofres públicos, inclusive, foi um dos principais empecilhos para o empreendimento emancipatório dos campo-bonenses. A população se sentia abandonada à sua própria sorte, quando necessitava de serviços públicos.

A partir de 1956 a idéia de emancipação esteve presente no pensamento da maior parte da população e os empenhos para que se concretizasse este propósito foram grandiosos. Como o fato de contar como gêmeos os filhos das mulheres grávidas no ano de 1957-58. Contagens e recontagens eram feitas pelos recenseadores e o número exigido pela legislação estadual não era alcançado. A Barrinha aceitou se anexar a Campo Bom, mas mesmo assim o número era insuficiente.

Com muito diálogo e boa articulação política o então deputado estadual Victor Graeff, depois de imensos tramites burocráticos, conseguiu alterar a legislação estadual, que, em boa dose se ajustou as necessidades de Campo Bom. “A Emenda Victor Greff”, em decorrência, tornou-se conhecida, nos bastidores e corredores do poder estadual, como Lei de Campo Bom”². Os campo-bonenses, por essa e outras artimanhas conseguiram a tão esperada independência.

No dia 29 de novembro de 1957 os campo-bonenses foram convocados para uma assembléia geral no “Cinema Imperial”, quando elegeriam a comissão de emancipação, que ficou assim constituída: presidente, Arno Kunz, primeiro-vice, Benno Felippe Froehlich entre outros. No dia 30 de novembro de 1958 foi feito o plebiscito e em 31 de janeiro de 1959 era criado o município de Campo Bom, através da Lei 3.707, sancionada pelo governador Ildo Meneghetti. Adriano Dias foi eleito o primeiro prefeito, tomando posse a 6 de junho de 1959, sendo que o prefeito locou um prédio do Sr. Waldemar von Charten para a instalação da prefeitura.

 

² LANG, Guido. Campo Bom: História e Crônica – 1826/1996. Campo Bom: Papuesta, 1996;