Tuberculose

 Diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes tuberculosos e encaminhamentos necessários, com busca ativa dos pacientes em tratamento.  

 

 

Dia Mundial da Tuberculose: reflexões acerca da magnitude de um problema que ainda persiste

 

O Dia Mundial da Tuberculose, comemorado em 24 de março, foi lançado, em 1982, pela Organização Mundial de Saúde e pela União Internacional Contra a Tuberculose e Doenças Pulmonares em homenagem aos 100 anos do anúncio do descobrimento do bacilo causador da doença, em 1882, por Robert Koch.  

A Tuberculose (TB) é uma doença infecto-contagiosa causada por um bacilo – o Mycobacterium tuberculosis ou Bacilo de Koch– que pode ser transmitida por meio das vias aéreas quando um indivíduo infectado tosse, fala ou espirra.  Comumente afeta os pulmões, sendo seus sintomas mais comuns a tosse persistente (por mais de duas semanas), com ou sem catarro; dor torácica; febre baixa, geralmente à tarde; suores noturnos; cansaço; fraqueza; falta de apetite e emagrecimento. 

Consiste numa enfermidade com grande influência dos determinantes sociais e econômicos, estando diretamente relacionada à pobreza, falta de condições de higiene e saneamento adequadas e à aglomeração populacional.

Embora seja uma das doenças infecciosas documentadas há mais longa data, a TB está longe de pertencer apenas ao nosso passado.  Sabe-se que, no mundo, a cada ano, cerca de nove milhões de pessoas adoecem por TB. O Brasil é um dos 22 países priorizados pela Organização Mundial de Saúde em relação a esse agravo, que representam 80% da carga mundial da doença.

Em 2007, o Brasil notificou 72.194 casos novos, ficando na 19ª posição em relação ao número de casos no mundo.  Assim, anualmente ainda registramos 4.500 óbitos decorrentes dessa patologia totalmente curável e evitável. Em sua maioria, as mortes ocorrem nas regiões metropolitanas e em unidades hospitalares. Em 2008, a TB foi a 4ª causa de morte por doenças infecciosas e a 1ª causa de morte dos pacientes com Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA/AIDS).

Mais de 90% dos casos de TB e dos óbitos ocorrem nos países em desenvolvimento, onde 75% dos casos se encontram na idade de maior produtividade econômica (15-54 anos). Um adulto com TB perde, em média, três a quatro meses de trabalho, o que se traduz na perda de 20 a 30% do rendimento anual familiar e, se o doente morrer de TB, em 15 anos de rendimento perdido.

 

Além do custo econômico devastador, a TB ainda leva a enormes conseqüências negativas indiretas, tais como a evasão escolar de crianças cujos pais adoecem, bem como o abandono de pessoas infectadas pelas suas famílias em decorrência das dificuldades trazidas pela doença.

 

Outro problema significativo é a coinfecção TB-HIV. Pessoas infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) apresentam risco significativamente maior de contrair TB como doença oportunista, devido à baixa imunidade. Países com alta prevalência de HIV, como o Brasil, por exemplo, vêm testemunhando profundo aumento do número de casos de TB, particularmente desde os anos 90, como impacto da pandemia de SIDA.

Simultaneamente, a multirresistência do bacilo às drogas padronizadas para o tratamento de TB, devido a medidas de tratamento inadequadas ou mesmo caóticas, em especial o abandono da terapia pelo paciente e a negligência na gestão da doença, é um problema crescente e muito preocupante, pois, a despeito da existência de recursos tecnológicos capazes de promover o seu controle, vivemos à sombra do risco de uma epidemia de TB multirresistente.

Diante disso, considerando a interface da TB com todos os desafios adicionais aqui mencionados, apresenta-se, de fato, um agravo de grandes dimensões para a saúde pública, que exige imediata mobilização e integração de gestores públicos, conselhos de saúde, serviços de saúde especializados e de atenção básica, hospitais e organizações da sociedade civil a favor do controle dessa doença. Outra medida fundamental de controle da TB é, sem dúvida, a aplicação de medidas previstas nas políticas públicas realmente voltadas à melhoria dos indicadores sócio-econômicos e, conseqüentemente, da qualidade de vida da população.

Portanto, apesar de não encontrarmos motivos para comemorações no Dia Mundial da TB nas circunstâncias da atualidade, essa data consiste numa ocasião importante para a discussão e articulação de idéias e ações, e representa, sempre, no ano vigente, o marco fundamental de uma campanha que, necessariamente, precisa promover a intensificação da vigilância e controle permanentes da doença.

 

Enfª Esp. Alexandra Paz Duarte

Coordenação do Programa Municipal de Controle da Tuberculose